Vida dos Santos
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05.01.2026

Ele construiu uma coluna e viveu nela até morrer

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

São Simeão Estylita nasceu na Síria no ano 390, filho de um pastor, e desde seus 13 anos tinha o trabalho de cuidar das ovelhas no pasto. Certa vez, quando pelo frio o rebanho não podia sair, foi à igreja com os pais e ouviu o Evangelho que continha a seguinte bem-aventurança: “Bem-aventurados os tristes, porque serão consolados”. Perguntou a um ancião como poderia obter tal felicidade. O outro disse-lhe que era pelo jejum, pela oração, humildade, pobreza, paciência, e lhe aconselhou a vida monástica como sendo a mais elevada filosofia.

Simeão entrou em uma igreja de mártires, prostrou-se no chão e rogou ao Senhor que lhe conduzisse ao caminho de tal perfeição. Sobreveio-lhe um sono, no qual teve uma visão: cavava um alicerce e alguém lhe dizia que cavasse mais. Quando o alicerce era bastante profundo, disse-lhe que poderia erguer uma construção da forma e da altura que lhe aprouvesse.

Após essa advertência interior, entrou num mosteiro vizinho.Naquele primeiro lugar, ficou nosso santo apenas dois anos, pois seu modo de viver parecia muito exagerado para os demais. Foi para outro convento, e neste permaneceu dez anos. O jejum rigoroso, as longas vigílias e a oração constante tornaram-se práticas habituais. Seu fervor espiritual crescia rapidamente, ao mesmo tempo em que seu corpo se enfraquecia. Tal rigor, embora sincero, excedia o regime comum da vida monástica e acabava por perturbar a ordem da comunidade. Seus superiores, reconhecendo sua virtude e também sua singularidade, orientaram-no a seguir um caminho de solidão mais apropriado à sua vocação.

A vida de penitência e oração sobre a coluna

Foi São Simeão viver na solidão de uma elevadíssima montanha, onde construiu uma cela sem telhado. Com receio de que algum dia uma tentação pudesse lhe convencer a se retirar de seu retiro, colocou ele no pé e no pescoço uma corrente de ferro muito pesada, a qual prendeu na rocha.

Sua fama se espalhou rapidamente e muitos vinham até ele para receber conselhos. Por insistência do bispo local, nosso santo consentiu em que se lhe tirassem as correntes. Como as multidões não lhe deixavam a sós com Deus, construiu para si uma coluna com mais de 3 metros de altura e 3 palmos de diâmetro, com uma balaustrada de 3 palmos de altura e ali viveu durante 7 anos.

A coluna tornou-se um espaço de penitência contínua, de oração ininterrupta e de testemunho público, pois não lhe dava qualquer comodidade, como se pode imaginar. Elevado do chão, Simeão oferecia seu próprio corpo como lembrança constante da elevação da alma para Deus. Seu nome “estylita” vem do grego e significa coluna.

Passados os primeiros 7 anos na coluna, construiu Simeão outra ainda mais alta, com cerca de 15 metros de altura, e nela morou por mais 30 anos, enfrentando o calor intenso, o frio cortante, as chuvas e os ventos. Alimentava-se de forma mínima e mantinha-se em contínua atitude de oração. Seu corpo, consumido pela penitência, tornava-se instrumento de intercessão. Sua presença silenciosa falava mais alto que longos discursos. A coluna transformou-se num altar visível, onde se oferecia diariamente um sacrifício vivo.

Multidões passaram a acorrer ao local. Peregrinos vinham de regiões distantes, atraídos pela fama de santidade. Camponeses, soldados, magistrados e até governantes buscavam seus conselhos. Simeão exortava à penitência, à conversão sincera e ao abandono do pecado. Sua palavra era direta, grave e impregnada de caridade sobrenatural. Muitos retornavam transformados, reconciliados com Deus e decididos a mudar de vida. Atribui-se a ele o bom êxito do concílio de Éfeso.

São Simeão morreu aos 70 anos, sobre aquela mesma coluna; e no lugar se construiu uma grande basílica.

O verdadeiro sentido do exemplo dos santos

Exorta-nos o Padre João Batista Lehmann:

É erro pensar que temos obrigação de imitar sempre o exemplo dos santos. Em muitas coisas, não há dúvida, podem os santos servir-nos de modelo e um dos fins da leitura que fazemos da sua vida é animar-nos na prática das virtudes.
Nos santos pode haver e há imperfeições. Na vida dos santos há exageros e por esse motivo sem sempre seus exemplos nos podem servidor de modelo.
O modelo perfeito de todas as virtudes é Jesus Cristo, Nosso Senhor. Para entrarmos no céu, é preciso que sejamos imagens de Jesus, Filho de Deus. A imitação de Cristo é uma obrigação para todos sem exceção.

São Simeão construiu uma coluna e nela viveu para fazer penitência por seus pecados e para salvar muitas outras almas. Quão pouco nos esforçamos para vencer nossos pecados! Peçamos a intercessão deste grande santo para que também nós sejamos repletos de coragem e determinação para fazer tudo o que for preciso para vencer nossas tentações.

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

Dom Prosper Guéranger. The Liturgical Year. 15 v. Loreto Publications, 2000.

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