
Nascido em 28 de outubro de 1550, no castelo de Rostkow, na Polônia, de pais nobres, foi o caçula dos filhos de João e Margarida.
Sua mãe, mulher piedosa, gravou-lhe na alma as primeiras impressões de fé e amor a Deus. Desde que a razão começou a despontar, Estanislau revelou uma inocência tão pura e um fervor tão ardente, que seus próprios mestres se admiravam de ver, em tão tenra idade, virtudes de um grande santo.
Ele amava a solidão e a oração, tinha horror aos divertimentos frívolos e fugia, como do fogo, de qualquer palavra ou gesto que pudesse ofender a pureza. Quem o via, dizia:
Este menino é um anjo habitando entre os homens.
Se ouvisse alguma palavra obscena, desmaiava de tanta repugnância.
Aos 14 anos, foi enviado com o irmão Paulo a Viena, para estudar em um seminário menor dos jesuítas. Aí brilhou por sua modéstia, recolhimento e devoção. Era o primeiro nas aulas e o mais assíduo diante do altar.
Quando, por uma calamidade pública após a morte do imperador Fernando, os jesuítas perderam a casa onde se hospedavam os alunos, os irmãos Kostka foram viver na casa de um luterano, o que trouxe ao santo jovem numerosas provações.
Paulo, mais velho e entregue às vaidades do mundo, zombava cruelmente do irmão, chegando a maltratá-lo fisicamente; o preceptor, homem mundano, escarnecia de sua piedade, aconselhando-o a “viver como os outros”.
Estanislau, porém, respondia com mansidão e perseverava nas práticas santas: levantava-se à meia-noite para rezar, assistia à Missa e comungava diariamente, jejuava nas vésperas das festas e passava longas horas diante do Santíssimo Sacramento, tal como se não tivesse saído do seminário.
Acometido de grave enfermidade, desejou receber o viático; mas o dono da casa, por ser herege protestante, não permitia que o Santíssimo Sacramento fosse levado ao enfermo.
Em angústia, o piedoso jovem recorreu a Santa Bárbara, pedindo a graça de não morrer sem o pão dos anjos. Sua súplica foi ouvida: em visão, viu dois anjos trazendo-lhe a Comunhão, e, logo depois, a Santíssima Virgem apareceu-lhe resplandecente, dizendo-lhe que sua hora ainda não era chegada, e que devia entrar definitivamente na Companhia de Jesus.
Desde então, Estanislau não teve outro desejo senão o de obedecer à Mãe de Deus. Enquanto criança, desmaiava ao ouvir palavra impura; mas ao doce nome de Maria, seu coração palpitava tão fortemente que seu corpo se aquecia consideravelmente e seu rosto resplandecia.
Tentou ser admitido entre os jesuítas em Viena, mas o provincial, temendo a cólera do pai, recusou. Então, com doce prudência e firme resolução, deixou uma carta de despedida ao irmão e ao tutor, e partiu secretamente a pé, levando apenas o rosário e um crucifixo.
Dirigiu-se primeiro a Dillingen, onde procurou São Pedro Canísio, o qual, provando sua vocação, fê-lo servir humildemente os estudantes, varrendo seus quartos e servindo-lhes à mesa. O jovem nobre cumpria tudo com alegria e silêncio, como se servisse aos próprios anjos.
Vendo tamanha humildade, o santo doutor enviou-o a Roma.
A viagem foi longa e penosa. Estanislau caminhava sozinho e descalço. Quando alguém se admirava de vê-lo tão decidido, respondia com suavidade:
Iria até a Índia, se fosse preciso, para obedecer ao chamado de Deus.
Chegando a Roma, lançou-se aos pés de São Francisco de Borja, então Superior Geral da Companhia. O santo o recebeu com lágrimas de alegria no noviciado.
Sua obediência no noviciado era perfeita: não fazia um gesto sem permissão. Mortificava o corpo com cilício, dormia pouco e conservava sempre um semblante sereno e luminoso. Era o primeiro na oração e o último a deixar a capela.
Muitas vezes era visto em êxtase, o rosto inflamado como se ardesse em chamas invisíveis.
Recebeu, nesse tempo, uma carta terrível do pai, que o ameaçava de remover dos jesuítas da Polônia. O santo respondeu com humildade:
Sou vosso filho e vos devo respeito; mas sou também filho de Deus, e devo antes de tudo obedecer à Sua voz.
No começo de agosto de 1568, ao tirar por sorteio o patrono do mês, saiu-lhe São Lourenço. Sorriu ele, dizendo:
Este santo me anunciará o fogo que há de consumir-me: o amor de Deus e a morte próxima.
Poucos dias depois, adoeceu exclamando:
Bendito sejais, Senhor! Eis que chega o fim da minha peregrinação.
No dia 14 de agosto, véspera da Assunção, recebeu com profunda devoção o viático e a extrema-unção, pedindo que o deitassem sobre o chão. Rezou, pediu perdão a todos e entregou-se à vontade divina. Durante a noite, disse serenamente:
Vejo a Santíssima Virgem vindo ao meu encontro, acompanhada de muitos anjos.
E assim, nas matinas de 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, entregou sua alma a Deus aos 17 anos de idade.
Seu corpo, conservado incorrupto, foi sepultado no noviciado dos jesuítas em Roma. O Papa Bento XIII o canonizou em 1727. A Igreja o venera como modelo da juventude pura e fervorosa, junto de São Luís Gonzaga e São João Berchmans.
Santo Estanislau os ensina a repugnância ao pecado e o amor ardente à pureza. Em sua vida, essas disposições interiores se traduziram em desmaios, palpitações e resplandecência... se não podemos imitá-lo nas reações fisiológicas, esforcemos por alcançar o grau de sua virtude heroica e peçamos seu auxílio para sermos tão devotos de Maria Santíssima quanto ele.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. (Mt 5,8).
Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.
Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.