Vida dos Santos
|
7
minutos de leitura
|
13.11.2025

A vida extraordinária do jovem polonês Estanislau Kostka

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

Nascido em 28 de outubro de 1550, no castelo de Rostkow, na Polônia, de pais nobres, foi o caçula dos filhos de João e Margarida.

Sua mãe, mulher piedosa, gravou-lhe na alma as primeiras impressões de fé e amor a Deus. Desde que a razão começou a despontar, Estanislau revelou uma inocência tão pura e um fervor tão ardente, que seus próprios mestres se admiravam de ver, em tão tenra idade, virtudes de um grande santo.

Ele amava a solidão e a oração, tinha horror aos divertimentos frívolos e fugia, como do fogo, de qualquer palavra ou gesto que pudesse ofender a pureza. Quem o via, dizia:

Este menino é um anjo habitando entre os homens.

Se ouvisse alguma palavra obscena, desmaiava de tanta repugnância.

Primeiro ingresso no seminário

Aos 14 anos, foi enviado com o irmão Paulo a Viena, para estudar em um seminário menor dos jesuítas. Aí brilhou por sua modéstia, recolhimento e devoção. Era o primeiro nas aulas e o mais assíduo diante do altar.

Quando, por uma calamidade pública após a morte do imperador Fernando, os jesuítas perderam a casa onde se hospedavam os alunos, os irmãos Kostka foram viver na casa de um luterano, o que trouxe ao santo jovem numerosas provações.

Paulo, mais velho e entregue às vaidades do mundo, zombava cruelmente do irmão, chegando a maltratá-lo fisicamente; o preceptor, homem mundano, escarnecia de sua piedade, aconselhando-o a “viver como os outros”.

Estanislau, porém, respondia com mansidão e perseverava nas práticas santas: levantava-se à meia-noite para rezar, assistia à Missa e comungava diariamente, jejuava nas vésperas das festas e passava longas horas diante do Santíssimo Sacramento, tal como se não tivesse saído do seminário.

Primeira doença e comunhão milagrosa

Acometido de grave enfermidade, desejou receber o viático; mas o dono da casa, por ser herege protestante, não permitia que o Santíssimo Sacramento fosse levado ao enfermo.

Em angústia, o piedoso jovem recorreu a Santa Bárbara, pedindo a graça de não morrer sem o pão dos anjos. Sua súplica foi ouvida: em visão, viu dois anjos trazendo-lhe a Comunhão, e, logo depois, a Santíssima Virgem apareceu-lhe resplandecente, dizendo-lhe que sua hora ainda não era chegada, e que devia entrar definitivamente na Companhia de Jesus.

Desde então, Estanislau não teve outro desejo senão o de obedecer à Mãe de Deus. Enquanto criança, desmaiava ao ouvir palavra impura; mas ao doce nome de Maria, seu coração palpitava tão fortemente que seu corpo se aquecia consideravelmente e seu rosto resplandecia.

A fuga para Roma

Tentou ser admitido entre os jesuítas em Viena, mas o provincial, temendo a cólera do pai, recusou. Então, com doce prudência e firme resolução, deixou uma carta de despedida ao irmão e ao tutor, e partiu secretamente a pé, levando apenas o rosário e um crucifixo.

Dirigiu-se primeiro a Dillingen, onde procurou São Pedro Canísio, o qual, provando sua vocação, fê-lo servir humildemente os estudantes, varrendo seus quartos e servindo-lhes à mesa. O jovem nobre cumpria tudo com alegria e silêncio, como se servisse aos próprios anjos.

Vendo tamanha humildade, o santo doutor enviou-o a Roma.

A viagem foi longa e penosa. Estanislau caminhava sozinho e descalço. Quando alguém se admirava de vê-lo tão decidido, respondia com suavidade:

Iria até a Índia, se fosse preciso, para obedecer ao chamado de Deus.

Chegando a Roma, lançou-se aos pés de São Francisco de Borja, então Superior Geral da Companhia. O santo o recebeu com lágrimas de alegria no noviciado.

Últimos anos

Sua obediência no noviciado era perfeita: não fazia um gesto sem permissão. Mortificava o corpo com cilício, dormia pouco e conservava sempre um semblante sereno e luminoso. Era o primeiro na oração e o último a deixar a capela.

Muitas vezes era visto em êxtase, o rosto inflamado como se ardesse em chamas invisíveis.

Recebeu, nesse tempo, uma carta terrível do pai, que o ameaçava de remover dos jesuítas da Polônia. O santo respondeu com humildade:

Sou vosso filho e vos devo respeito; mas sou também filho de Deus, e devo antes de tudo obedecer à Sua voz.

No começo de agosto de 1568, ao tirar por sorteio o patrono do mês, saiu-lhe São Lourenço. Sorriu ele, dizendo:

Este santo me anunciará o fogo que há de consumir-me: o amor de Deus e a morte próxima.

Poucos dias depois, adoeceu exclamando:

Bendito sejais, Senhor! Eis que chega o fim da minha peregrinação.

No dia 14 de agosto, véspera da Assunção, recebeu com profunda devoção o viático e a extrema-unção, pedindo que o deitassem sobre o chão. Rezou, pediu perdão a todos e entregou-se à vontade divina. Durante a noite, disse serenamente:

Vejo a Santíssima Virgem vindo ao meu encontro, acompanhada de muitos anjos.

E assim, nas matinas de 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, entregou sua alma a Deus aos 17 anos de idade.

Seu corpo, conservado incorrupto, foi sepultado no noviciado dos jesuítas em Roma. O Papa Bento XIII o canonizou em 1727. A Igreja o venera como modelo da juventude pura e fervorosa, junto de São Luís Gonzaga e São João Berchmans.

Santo Estanislau os ensina a repugnância ao pecado e o amor ardente à pureza. Em sua vida, essas disposições interiores se traduziram em desmaios, palpitações e resplandecência... se não podemos imitá-lo nas reações fisiológicas, esforcemos por alcançar o grau de sua virtude heroica e peçamos seu auxílio para sermos tão devotos de Maria Santíssima quanto ele.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. (Mt 5,8).

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

Mais artigos

Inscreva-se para receber formações por e-mail

Fazer meu cadastro
Padre Leonardo Wagner © 2024. Todos os direitos reservados.