Vida dos Santos
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15.01.2026

Ele andou sobre as águas para salvar um companheiro

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

São Mauro, conhecido em muitos lugares como Santo Amaro, nasceu em Roma no início do século VI, em uma família nobre e cristã. Seu pai, Equício, desejoso de oferecer a Deus o que tinha de mais precioso, levou o menino ainda muito jovem ao mosteiro de São Bento, em Subiaco. Tratava-se de uma verdadeira oblação, conforme o costume antigo da Igreja, pela qual a criança era consagrada a Deus para o serviço monástico.

Desde os primeiros anos, Mauro revelou um caráter dócil, recolhido e atento, características que São Bento soube reconhecer e cultivar com prudência. Não se registram em sua infância feitos extraordinários, mas antes uma fidelidade silenciosa às pequenas observâncias da vida comum. Os autores antigos insistem nesse ponto: a santidade de Mauro não se formou em gestos espetaculares, mas na constância humilde, no aprendizado diário da obediência e na confiança absoluta no pai espiritual que Deus lhe dera.

O milagre do lago

Entre os episódios mais conhecidos da vida de São Mauro está o milagre narrado por São Gregório Magno e retomado unanimemente pelos hagiográfos clássicos. Um jovem monge, Plácido, caiu em um lago e estava prestes a se afogar. São Bento, iluminado por Deus, ordenou imediatamente a Mauro que fosse socorrê-lo. Sem refletir, sem medir o perigo e sem sequer perceber o prodígio, Mauro correu e caminhou sobre as águas, resgatando o companheiro.

O próprio São Mauro, ao retornar, acreditava ter pisado em terra firme. Quando São Bento lhe revelou o ocorrido, Mauro atribuiu o milagre não a si, mas a São Bento que lhe obrigou a buscar o monge; São Bento, por sua vez, disse que tudo se deu graças à obediência que Mauro praticara. Este ponto é sublinhado com força por Dom Guéranger: o prodígio não foi tanto caminhar sobre as águas, mas ter obedecido sem hesitação, sem cálculo e sem olhar para si mesmo. Assim, Mauro tornou-se, na tradição beneditina, o modelo acabado da obediência monástica, como abandono confiante da própria vontade.

A missão além da Itália

Já adulto e amadurecido na vida espiritual, São Mauro foi enviado por São Bento à Gália, atendendo a um pedido de fundação monástica feito por nobres francos. Essa missão mostra a grande confiança que o Patriarca do Ocidente depositava em seu discípulo. Mauro partiu levando consigo não apenas a Regra escrita, mas o espírito vivido do mosteiro de Monte Cassino.

Na região do Loire, fundou o mosteiro de Glanfeuil, que mais tarde tomaria o nome de Saint-Maur-sur-Loire. Ali, São Mauro governou como abade por muitos anos, formando monges, organizando a vida litúrgica e irradiando a espiritualidade beneditina em terras ainda marcadas por instabilidades políticas e culturais. Os autores destacam seu governo equilibrado, firme sem dureza, paternal sem fraqueza, sempre mais inclinado a formar do que a punir.

Últimos anos

Após longos anos de serviço, São Mauro retirou-se gradualmente do governo ativo, dedicando-se mais intensamente à oração e à preparação para a morte. Sua vida, já marcada pela regularidade e pela mortificação discreta, terminou em paz, cercado por seus monges, a quem deixou mais o exemplo do que palavras.

Seu culto espalhou-se rapidamente, sobretudo na França, onde passou a ser invocado como intercessor nas enfermidades e como modelo de vida religiosa fiel. São Mauro representa o tipo de santo que não fundou sua fama em feitos extraordinários contínuos, mas na perfeita coerência entre vida interior, disciplina exterior e amor à vontade de Deus.

Assim, São Mauro permanece na tradição da Igreja como o discípulo fiel, o monge obediente e o abade prudente, cuja santidade se construiu no silêncio, na constância e na confiança total em Deus, segundo o espírito que aprendeu aos pés de São Bento. São Mauro, rogai por nós!

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

Dom Prosper Guéranger. The Liturgical Year. 15 v. Loreto Publications, 2000.

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