Espiritualidade
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06.01.2026

Qual é o significado da Epifania?

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

A palavra Epifania significa manifestação, isto é, algo que se torna visível, que aparece de modo claro. No calendário litúrgico, a Epifania é o dia em que o Cristo se manifestou visivelmente. No Natal, Ele se revelou primeiro aos pobres e simples em Belém, mas na Epifania Ele se deu a conhecer ao mundo inteiro, primeiramente representado pelos três Magos que vieram do Oriente, guiados por uma estrela até o lugar onde estava o Menino.

De acordo com a antiga tradição da Igreja, esses homens não eram apenas curiosos que observavam os astros, mas reis de seus países e sábios de idade avançada, atentos aos sinais de Deus e à esperança de um Salvador prometido desde os tempos antigos. 

Eles conheciam as promessas feitas a Abraão e sabiam da antiga profecia de Balaão que dizia que uma estrela surgiria de Jacó, sinal do nascimento de um grande Rei. Vivendo em terras distantes, perceberam que algo novo e extraordinário havia acontecido: nascera um Rei diferente dos demais, cuja realeza não se limitava a um único povo, mas se estendia a toda a humanidade.

O astro e o caminho até Belém

A estrela, que era movida aos poucos por Deus, não levou os Magos diretamente até o Menino, mas primeiro a Jerusalém, para que as Escrituras fossem lembradas e para que se revelasse uma verdade que acompanha toda a vida de Cristo: nem todos reagem da mesma forma diante da luz. 

O rei Herodes se sentiu ameaçado e perturbado, com medo de perder o poder; os mestres da Lei sabiam onde o Messias deveria nascer, mas não se levantaram para adorá-Lo; já os Reis Magos, mesmo sendo estrangeiros e pagãos, seguiram adiante com fé, dispostos a encontrar o Salvador.

Quando a estrela reapareceu e parou sobre o lugar onde estava o Menino, a alegria dos Magos foi imensa. Eles entraram na casa e encontram algo simples aos olhos humanos, mas grandioso aos olhos da fé: o Rei nos braços de sua Mãe. Não se escandalizam com a pobreza, mas se admiraram com o mistério que lhes foi revelado. Diante d’Ele, ajoelharam-se e O adoraram, reconhecendo que aquele Menino não era mais um rei como os outros, mas o próprio Deus que se fez homem.

Os presentes

Todos os três Reis Magos — Gaspar, Baltasar e Melquior — ofereceram ouro, incenso e mirra, mas cada um em quantidade diferente. Um ofereceu mais ouro; outro, mais incenso; e outro ainda mais mirra.

O ouro significa o reconhecimento de Cristo como Rei; o incenso proclama que Ele é Deus; e a mirra, usada para ungir os mortos, aponta desde cedo para o sofrimento que Ele passaria por amor aos homens. Assim, logo no começo de Sua vida, já se anunciava que este Rei salvaria o mundo não pela força, mas pela entrega total de Si mesmo, e que a Cruz, que parecia derrota, se tornaria o maior sinal de vitória.

As três epifanias

A festa da Epifania não recorda apenas a visita dos três Reis Magos. A Igreja, desde os primeiros séculos, celebra neste dia três grandes manifestações de Deus:

— a visita dos três Reis Magos, quando Ele se revela às nações;

— o Batismo no rio Jordão, quando o Pai O chama de Filho amado e o Espírito Santo desce sobre Ele;

— e o milagre das Bodas de Caná, quando Cristo manifesta Sua glória e fortalece a fé dos discípulos.

Esses três eventos teriam ocorrido no mesmo dia 6 de janeiro de anos distintos, e para melhor contemplá-los, a Igreja instituiu festas específicas para eles (tal como ocorre com a comemoração de São Paulo Apóstolo).

O retorno dos Magos

Depois de adorarem o Menino, os Magos receberam em sonho um aviso para não voltarem a Herodes, e retornaram por outro caminho. Esse detalhe traz um ensinamento profundo: quem encontra Jesus não pode continuar vivendo do mesmo modo de antes. A Epifania não é apenas uma bela lembrança do passado, mas um chamado à mudança de itinerário.

Enquanto alguns acolhem a luz, outros a rejeitam. Jerusalém permanece inquieta, Herodes fecha o coração, e a perseguição começa a se desenrolar. Desde o início, a presença de Cristo provoca uma escolha: ou acolher a luz ou permanecer na escuridão. O mesmo Menino adorado pelos povos estrangeiros será mais tarde rejeitado por muitos do seu próprio povo.

Conclusão

A estrela que guiou Gaspar, Baltasar e Melquior até o Menino Deus não mais brilha para nós. Porém, Deus nos concede outras luzes durante a oração para que também nós sejamos guiados até a Luz verdadeira que veio ao mundo — Jesus Cristo Nosso Senhor.

Não há outro caminho para a salvação senão através de Jesus. Apesar de desejar a salvação de todos os homens, ela é subjetiva e muitos não a desejam, como Herodes e os mestres da Lei. Estes últimos viviam na Casa de Deus (à época, o Templo de Jerusalém), mas se perderam. Os reis Magos tinham uma vida reprovável, mas mudaram de via e se santificaram. 

Qual dos dois exemplos nós imitaremos? Seremos do número daqueles que viviam na Igreja, mas que não escolheram Jesus? Que Deus nos livre de tal condenação! Peçamos aos santos Reis Magos que nos alcancem a graça de ver claramente a luz que Deus nos envia e converter os nossos caminhos para o Senhor.

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

Dom Prosper Guéranger. The Liturgical Year. 15 v. Loreto Publications, 2000.

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