História da Igreja
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27.11.2025

Por que temos uma Medalha Milagrosa?

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

No ano de 1717, as quatro Lojas Maçônicas de Londres uniram-se para formar a Grande Loja da Inglaterra, que publicou suas constituições em 1723 e se tornou a Loja-mãe de todos os maçons regulares, espalhando-se rapidamente pelo mundo. O mal da maçonaria alcançou o continente europeu por volta de 1721 e chegou até a América em 1730.

A revolução francesa

Foi essa nova mentalidade anticatólica que atravessou o Canal da Mancha e influenciou profundamente as ideias dos revolucionários franceses do século XVIII, como Voltaire.

“O tempo da religião terminou”, afirmavam. “Não precisamos de Deus; somos mais maduros que isso. Colocamos Deus em uma caixa. Podemos alcançar nosso próprio céu à nossa própria maneira.”

Este é o contexto do chamado Iluminismo, período em que o homem pretendeu se colocar acima do próprio Criador. Os novos ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade” acabaram se traduzindo, na prática, na destruição da fé católica na França.

A tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, marcou o início da Revolução Francesa e do subsequente Reinado do Terror, que dizimou comunidades religiosas inteiras.

A resposta do Céu

Mesmo em meio à escuridão dessa revolução anticristã, Deus mantém a última palavra. Ele é o Autor da História e, muitas vezes, envia Nossa Senhora — a Imaculada — para intervir e mudar seu curso. Foi exatamente o que ocorreu no século XIX, na França.

Era a noite de 18 de julho de 1830, quase meia-noite.

Numa casa religiosa na Rue du Bac, vivia uma jovem noviça das Filhas da Caridade: Catarina Labouré. Ela foi acordada por uma voz suave que chamava:

“Irmã… irmã… irmã…”

Seu Anjo da Guarda a conduziu até a capela, onde a Santíssima Virgem apareceu, sentando-se perto do altar.

Catarina ajoelhou-se diante da Mãe de Deus, colocou as mãos no colo da Virgem, olhou em seus olhos e conversou longamente com Ela. Depois, descreveu esse momento como a noite mais doce de toda a sua vida.

A Virgem lhe disse:

“Minha filha, vou lhe dar uma missão.”

Catarina, que já havia refletido sobre sua vocação e recebido uma visão de São Vicente de Paulo, viu Nossa Senhora pela primeira vez justamente no dia da festa do santo. Quatro meses depois, em 27 de novembro de 1830, a Bem-aventurada Virgem voltou a aparecer enquanto Catarina meditava.

Nessa aparição, Nossa Senhora estava de pé sobre um globo, com raios luminosos jorrando de suas mãos. Em suas mãos, ela segurava outro globo dourado, oferecendo-o ao Céu. Sobre ele estava escrita a palavra “França”. A Virgem explicou que o globo representava o mundo inteiro, mas especialmente a França. Dos anéis de seus dedos saíam raios de luz — as graças que Deus concede àqueles que as pedem.

Mas Ela lamentou:

“Não há quem m’as peça.”

Ao redor da aparição, via-se a inscrição radiante:

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.”

A Medalha Milagrosa

Nossa Senhora mostrou-lhe uma medalha e disse a Catarina:

“Faze cunhar uma medalha segundo este modelo. Aqueles que a usarem receberão grandes graças, especialmente se a trouxerem ao pescoço. E quem repetir esta oração com devoção estará sob a proteção especial da Mãe de Deus. Graças serão abundantemente concedidas a todos que a usarem com confiança.”

Assim nasceu uma medalha destinada a mudar o mundo.

Originalmente chamada de Medalha da Imaculada Conceição, foi aprovada pela Igreja e produzida pela primeira vez em 1832, sendo distribuída em Paris. Logo as graças prometidas começaram a se multiplicar, e o povo francês passou a chamá-la espontaneamente de Medalha Milagrosa.

Seu uso se espalhou rapidamente. Quando Catarina morreu, em 1876, bilhões de medalhas já haviam sido cunhadas e distribuídas. Até hoje, inúmeras graças para corpo e alma continuam sendo alcançadas por meio dela. No anverso da Medalha, vemos Nossa Senhora das Graças com os raios saindo de suas mãos — símbolo das graças — e a inscrição:

“Ó Maria concebida sem pecado...”, proclamando seu privilégio da Imaculada Conceição. A Virgem esmaga a cabeça da serpente, cumprindo o protoevangelho do Gênesis: Ela mesma esmagará a cabeça do inimigo. No verso:

- Doze estrelas, como aparece coroada no Apocalipse;

- A Cruz encimando o M, indicando a corredenção de Nossa Senhora;

- Dois corações: o de Jesus coroado de espinhos e o de Maria transpassado por uma espada.

A medalha é, portanto, um verdadeiro compêndio da Revelação: Gênesis, Evangelho, Apocalipse. Seu design é poderoso porque foi ditado diretamente pela própria Mãe de Deus, e não obra de uma mera devoção particular humana. O dogma da Imaculada Conceição só foi proclamado em 1854, e essa aparição como que preparou o terreno para seu anúncio. Em 1858 ele confirmado novamente em Lourdes, quando disse a Virgem a Santa Bernadete:

"Eu sou a Imaculada Conceição.”

Ela nos preserva da corrupção do pecado

Durante 40 anos, a humilde Catarina guardou absoluto silêncio sobre as aparições, compartilhando-as apenas com seu confessor. No convento, suspeitava-se de que ela fosse a vidente, mas ela jamais confirmou nada até pouco antes de sua morte.

Catarina Labouré faleceu em 31 de dezembro de 1876. Quando se exumou seu corpo em 1933, ele foi encontrado perfeitamente intacto: membros flexíveis e, ao levantar-se suas pálpebras, seus olhos azuis — que contemplaram a Virgem — permaneciam límpidos e belos.

Ela é a única vidente da história conhecida por ter tocado fisicamente a Mãe de Deus — o que, segundo a tradição, explica a preservação de seus olhos, assim como ocorreu com Santa Bernadete.

Se você receber e usar uma Medalha Milagrosa abençoada, ela poderá operar maravilhas em sua vida. Nossa Senhora precisa apenas de uma pequena abertura — um gesto simples de confiança — para inundar a alma com suas graças e conservá-lo livre da corrupção do pecado.

Referências:

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

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