Vida dos Santos
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26.11.2025

O santo que salvou o Coliseu

PL
Equipe do Padre Leonardo Wagner
Formação Católica

São Leonardo de Porto Maurício nasceu em 1676 com o nome de Paulo Jerônimo Casanova, na antiga Porto Maurício, hoje integrada à cidade de Impéria (noroeste da Itália, região de Ligúria). Ficou órfão muito cedo, passando a infância marcado pela fragilidade física e pela dependência total da Providência Divina, o que formou nele uma confiança simples e profunda em Deus. 

Enviado ao Colégio Romano, destacou-se pela inteligência viva e pelo espírito recolhido. Concluídos os estudos, decidiu ingressar no Retiro de São Boaventura, dos Franciscanos Reformados, onde professou os votos e tomou o nome de Frei Leonardo. Desde o início da vida religiosa, abraçou com especial ardor a contemplação de Cristo Crucificado.

Ordenado sacerdote, foi destinado à cidade de Florença, onde rapidamente ganhou fama pela força singular de suas pregações. Sua voz era suave, mas penetrante; sua maneira de anunciar a Paixão de Cristo comovia profundamente as multidões. 

Durante as missões populares, que podiam durar mais de um mês, dedicava-se incansavelmente à confissão, muitas vezes até altas horas da noite, porque o povo não o deixava descansar. Convertia pecadores endurecidos, frequentemente apenas pela doçura e firmeza de suas exortações. Santo Afonso Maria de Ligório chegou a afirmar que ele era o maior missionário pregador daquele século.

Vida ascética e virtuosa

A vida de Frei Leonardo era marcada por penitências rigorosas: jejuns prolongados, disciplinas, noites inteiras em oração. Apesar disso, mantinha uma alegria franciscana serena que edificava todos ao seu redor. 

Seu ministério foi acompanhado por inúmeras graças extraordinárias, especialmente curas atribuídas à intercessão da Via-Sacra, devoção que ele propagava com fervor e profundidade incomuns.

Quando a ilha de Córsega se encontrava dividida por rivalidades violentas e à beira de um confronto generalizado, o Papa decidiu enviar Frei Leonardo para tentar restaurar a paz. A missão parecia impossível, mas o santo, com paciência, penitência e mansidão, conseguiu aproximar facções inimigas e estabelecer um acordo duradouro. O feito impressionou toda a região, que reconheceu naquele frade simples um verdadeiro pacificador enviado por Deus.

O salvador do Coliseu

Em Roma, o Coliseu, então abandonado e utilizado como pedreira, era símbolo de decadência. Frei Leonardo obteve permissão para realizar ali uma Via-Sacra solene, desejando devolver ao monumento a dignidade que lhe era devida pelo sangue dos mártires derramado em seu interior. 

O impacto daquela celebração foi imenso. A prática se difundiu por toda a Itália e o Coliseu passou a ser preservado com mais zelo. É por causa dessa iniciativa que o santo é lembrado como o Salvador do Coliseu. 

Até hoje, na Sexta-Feira da Paixão, o Papa celebra ali a Via-Sacra, perpetuando a devoção que ele reacendeu.

Escritos e espiritualidade

São Leonardo nutria um amor ardente pela Virgem Maria e defendia com grande convicção o privilégio de sua Imaculada Conceição, quando ele ainda não era dogma. Trabalhou com empenho para que a Igreja reconhecesse oficialmente esse mistério e chegou a animar o Papa Bento XIV a convocar um concílio para tratar do tema. 

Antes de morrer, escreveu uma carta profética afirmando que o dogma seria proclamado, o que de fato ocorreu em 1854, pouco mais de um século após sua morte.

Entre suas obras, destaca-se o Tratado das Quarenta Horas, dedicado à adoração do Santíssimo Sacramento, além de sermões, meditações sobre a Paixão, textos ascéticos e reflexões sobre a morte e o juízo. 

Sua teologia unia clareza doutrinal a um fogo interior profundamente devoto, capaz de alcançar tanto os simples quanto os eruditos.

Falecimento

São Leonardo faleceu em 26 de novembro de 1751, no Retiro de São Boaventura do Palatino, totalmente consumido pela vida missionária. Sua fama de santidade era tão evidente que o Papa Bento XIV, ao ver seu corpo, ajoelhou-se em silencioso respeito. 

Com o tempo, passou a ser venerado como o Santo da Via-Sacra, o Santo da Imaculada Conceição, o Pregador da Paixão e o Salvador do Coliseu. Mais tarde, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro de todos os sacerdotes missionários. A cidade de Impéria o honra ainda hoje como seu padroeiro.

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Dom Prosper Guéranger. The Liturgical Year. 15 v. Loreto Publications, 2000.

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