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Vida dos Santos
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28/8/2025

A vitória da graça sobre o pecado

Equipe do Padre Leonardo Wagner

Festejamos no dia de hoje o grande Doutor da Graça, Santo Agostinho de Hipona. Seu pai era pagão, abusivo e um péssimo exemplo para os filhos. Já sua mãe, Mônica, foi aos poucos se santificando através daconstante oração pelo filho. 

Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagaste, no norte da África (atual Argélia), então parte do Império Romano. Recebeu o nome de Aurelius Augustinus. Apesar de não ter sido criado na fé católica, Agostinho era muito observador: desde cedo percebeu que havia algo errado na natureza humana. Na escola, notou que seus colegas gostavam de furtar maçãs e, pela influência deles, passou a fazer o mesmo. 

Segundo ele próprio relata, não porque gostasse de furtar, mas porque era errado. Aqui, vemos a importância das boas companhias e o perigo de deixar os filhos expostos a más influências. 

Hoje, isso é ainda mais grave, pois a internet pode facilmente corromper uma criança, mesmo sem más companhias "presenciais". Até jogos ou pesquisas inocentes podem conter imagens e links imorais colocados ali por obra do inimigo.

Dar acesso ilimitado à internet a uma criança é o mesmo que entregá-la ao demônio. Nosso Senhor pedirá contas da educação dos filhos que nos tem confiado. Não custa lembrar que a finalidade principal do matrimônio é a educação dos filhos.

Santo Agostinho é uma prova cabal de que um grande pecador pode se tornar um grande santo pela graça de Deus. Sua vida refuta também as objeções protestantes: ele sempre respeitou a Eucaristia e a Missa, e reconheceu que a graça de Deus torna possível a santidade.

O caminho até a conversão

Sua obra Confissões é leitura quase obrigatória. Nela, entramos na alma de Agostinho e vemos as mudanças que a graça de Deus operou em sua vida. Ele passou de furtar maçãs para pecados mais graves e mais impuros, vangloriando-se de suas conquistas com os amigos. Aos 17 anos, passou a coabitar com uma mulher, com quem teve um filho, chamado Adeodato.

Buscando um sentido para sua vida, aderiu à filosofia dos maniqueus, que ensinavam a existência de dois deuses opostos — um do bem e outro do mal; um da carne e outro do espírito, e que nada poderíamos fazer a respeito. Essa visão enganosa lhe serviu de justificativa para sua vida desregrada.

Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava muito por sua conversão. Ela não o batizou quando criança porque, na época, era comum esperar a vida adulta, já que a penitência da confissão era muito rigorosa. Um erro que custou caro a Mônica. 

Lendo Cícero, Agostinho enamorou-se pela Verdade — ou pela ideia de que ela existiria, já que Cícero não a conhecia nem ensinou o caminho para a encontrar. Mais tarde, o encontro com Santo Ambrósio de Milão foi decisivo. Agostinho, convencido intelectualmente, entendeu que precisava também subjugar a carne, como fizera Santo Antão — cuja vida muito lhe edificou e animou a tomar a decisão de abraçar a fé.

A conversão

Num momento de crise, chorando no jardim, ouviu uma criança cantar “tolle, lege” (toma e lê). Abriu as Escrituras e encontrou a carta de São Paulo aos Romanos, na qual o Apóstolo exortava a abandonar as obras da carne e a revestir-se de Cristo (cap. 13). Era a resposta que precisava naquele momento. 

Seis meses depois, foi batizado com seu filho Adeodato. Abandonou a ideia de matrimônio que sua mãe havia arranjado e consagrou-se à vida celibatária e sacerdotal.

Quatro anos mais tarde, foi sagrado bispo. Sua fama se espalhou já em vida. Mesmo São Jerônimo, que depois discutiria com ele sobre a tradução das Escrituras, reconheceu sua grandeza. Com seu fervor apostólico, combateu veementemente o maniqueísmo que antes havia adotado, o donatismo (rebeldes que rejeitavam ministros imperfeitos) e o pelagianismo (ideia de que o homem poderia salvar-se sem a graça).

Escreveu mais de cem obras, dentre elas podemos citar, além de sua autobiografia espiritual já citada, o livro Sobre a Trindade e A Cidade de Deus. Em seu leito de morte, apareceu um enfermo, pedindo que o curasse. Agostinho respondeu que não tinha esse dom, e que nem a si mesmo podia curar. Animado por uma revelação divina, o bispo impôs as mãos sobre o doente visitante e o curou.

Falecimento

No dia 28 de agosto de 430, enquanto Hipona era sitiada, Santo Agostinho pediu a Deus que o levasse para poupar sua cidade. Ele entregou a alma ao Senhor quando contava 75 anos de idade, rezando os salmos penitenciais copiados e pregados em seu leito a seu pedido.

Se não temos ninguém na terra que chore por nossa conversão, como Santa Mônica chorou por Agostinho, confiemo-nos a Nossa Senhora das Dores. Como Mãe que é, ela chora e intercede junto de Seu Filho por cada uma de nossas almas. 

Que Santo Agostinho e Santa Mônica nos alcancem a graça de reconhecer nossos pecados, bem confessá-los e alcançar a santidade. "Esta é a vontade de Deus", ensina São Paulo, "a vossa santificação" (I Ts 4,3).

Referências:

Pe. Alban Butler. The Lives of the Saints, Benziger Bros, 1894.

Pe. João Batista Lehmann. Na luz perpétua. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1953.

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